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Aumento da Cide, imposto sobre a comercialização da gasolina e diesel, se vier, pode sustentar preço do açúcar

 

A notícia de que o governo poderá mexer com a Cide (o imposto sobre os combustíveis), elevando a taxa, segura um pouco mais os preços do açúcar.

Embora ainda sejam especulações, um eventual aumento dessa taxa encarece a gasolina, o que estimula ainda mais o consumo de etanol hidratado.

Mais competitivo do que o combustível derivado do petróleo, esse etanol baliza o açúcar.

Os dados até agora não são favoráveis para o mercado de açúcar. Com 63% da safra já moída, a produção total desse produto recuou para 19,2 milhões de toneladas neste ano, 8% menos do que em igual período anterior.

Já produção de etanol somou 16,7 bilhões de litros, 3% mais do que no ano passado. O destaque fica para o álcool hidratado, cujo crescimento é de 15% neste ano.

A verdade é que não se imaginava uma safra tão alcooleira. Na segunda quinzena de agosto, apenas 43% da cana moída foi destinada à produção de açúcar.

Um dos pontos favoráveis em favor da produção de açúcar é a safra paulista. A moagem está atrasada, e o Estado é um dos principais produtores do produto.

O ponto negativo, no entanto, é que, se o tempo continuar chuvoso, as usinas terão dificuldades para a colheita da cana.

De abril ao final de agosto, a produção paulista de açúcar foi de 13,2 milhões de toneladas, 12% menos do que no ano anterior.

Com relação ao etanol, no entanto, a produção paulista de hidratado já atinge 4,8 bilhões de litros, 7% mais. Já a do centro-sul teve evolução de 15%; e a dos demais Estados, 23%.

Essa aceleração de produção é uma resposta ao consumo. As usinas do centro-sul venderam 1,7 bilhão de litros no mês passado, 47% mais do que em agosto de 2014.

Mudanças na Cide -se ocorrerem-, safra mais alcooleira e problemas climáticos, tanto no Brasil como na Índia, deverão influenciar os preços do açúcar.

Nesta quarta-feira (9), o primeiro contrato do produto negociado em Nova York foi a 11,43 centavos de dólar por libra-peso, 3,3% mais do que no dia anterior. Esse valor é, no entanto, 23% inferior ao de há um ano.

Mauro Zafalon

Fonte: Folha de S. Paulo